sábado, 27 de outubro de 2012

XIKO MENDES encontra texto de GUIMARÃES ROSA citando PLANALTINA-0DF.

Guimarães Rosa, autor de “Grande Sertão: Veredas”, também citou Planaltina, hoje Distrito Federal:

“Gente boa, a do Ão, lugar de lugar. Senhor Zosímo, o fazendeiro goiano, desarmou desdém, reconhecendo que se podia gostar demais dali. Esse tinha feito a Soropita, a sério, uma proposta: berganhar aquilo por sua grande fazenda, dele, cinco tantos maior, em Goiás, fundo de rumo de Planaltina. (...). O Campo Frio, se chamava. (...). Senhor Zosímo era homem positivo, tinha sido de tudo, até amansador de cavalos, peão. (...). era mineiro também, arranjara aquela fazenda em Goiás por simpleza do destino”. Trecho do texto “Lão-Dalalão ou Dão-Lalalão”, pesquisado e selecionado pelo historiador Xiko Mendes. Fonte: Rosa, Guimarães. Noites do Sertão, 9ª ed., Rj, Editora Nova Fronteira, 2001, p. 41-42.

Guimarães Rosa é Patrono da Cadeira 32 da Academia Planaltinense de Letras – APL.

sexta-feira, 23 de março de 2012

CARTA ABERTA AO PROF. DENÍLSON BENTO DA COSTA, SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DO DISTRITO FEDERAL.

CARTA ABERTA AO COLEGA PROFESSOR DENÍLSON BENTO DA COSTA, atual Secretário de Educação do Distrito Federal e Ex-Diretor do SINDICATO DOS PROFESSORES DO DF (Sinpro-DF).

Dirijo-me, nesse momento, à Sua Excelência, para lembrar-lhe que dignidade, antes de tudo, é nos olharmos no espelho e não envergonharmos das nossas atitudes. Dignidade é não trair nossas convicções, é não trair aqueles que acreditaram em nós. Nesse momento dramático em que centenas de professores (as) lutam pela dignidade profissional e política dessa categoria de aguerridos trabalhadores(as), queremos aqui lembrar um pouco de como Sua Excelência chegou ao mais algo cargo da Educação em Brasília, pois, como diria Jean Paul Sartre, nós somos o que fazemos de nós mesmos.

E Sua Excelência, Professor Denílson, chegou onde chegou porque ao longo de anos nossa categoria acreditou que sua pessoa fosse um defensor da nossa dignidade profissional. Sua Excelência foi eleito Diretor do Sindicato dos Professores por várias vezes porque a base dessa categoria acreditou que sua pessoa fosse de fato alguém convicto da necessidade de valorizar os(as) professores(as). Lembro-me de seus discursos em nossas assembléias, lembro-me de tantos colegas votando em Sua Excelência por considerá-lo porta-voz dos interesses coletivos dessa categoria, lembro-me de sua militância contra governos indiferentes às nossas reivindicações. Tudo o que Sua Excelência é hoje, Prof. Denílson, é resultado da confiança depositada em ti por essa categoria.

Felizmente os governos passam, mas essa categoria aguerrida que se organizou politicamente no fim dos anos 1970, continua firme, inabalável, exatamente porque enquanto pessoas como Sua Excelência abre mão de suas convicções, outros aparecem e irmanados na luta, mantêm viva a chama da nossa mobilização. Sua Excelência lembra de quando o atual Senador e Prof. Cristóvão Buarque, ex-reitor da UnB, era Governador do DF pelo PT? Lembra-se que fizemos duas greves, em 1996 e em 1998, e ele nos humilhou não atendendo nenhuma de nossas reivindicações e deixando-nos por dez anos nas mãos de Roriz e Arruda (1999 – 2009). Sua Excelência sabe de quem foi a culpa?

Sua Excelência sabe qual é a imagem de Lúcia Ivanov, Marcos Pato, Márcio Baiochi e Lúcia Carvalho perante nossa categoria? Pois é, essas foram pessoas que se elegeram várias vezes para dirigir o nosso Sindicato de Professores em Brasília, depois nos traíram. Essas foram as mesmas pessoas que no Governo Cristóvão nos abandonaram. Uns ficaram do lado do Governo e outro(s) do lado do Roriz. Mas hoje onde estão essas pessoas? Estão na lixeira da História dessa aguerrida categoria, pois é fato que o Governo Cristóvão ignorou e marginalizou essa categoria, mas também é fato que a DERROTA DE CRISTÓVÃO em seu projeto de reeleição para governador, em 1998, foi conseqüência da nossa resposta ao descaso com os(as) professores(as) brasilienses.

Quatorze anos após o fim melancólico do Governo Cristóvão Buarque, nos vemos outra vez com ex-dirigentes do Sindicato dos Professores assumindo cargos no GDF. De novo, presenciamos nossos colegas sindicalistas ignorando sua biografia e sua história de luta a favor da Educação sendo trocada por cargos de confiança na estrutura do Estado. Afinal de contas, de que lado Sua Excelência sempre esteve? Será que nesse tempo todo que atuou como sindicalista de nossa categoria, seus objetivos eram simplesmente usar a entidade como trampolim para chegar onde chegou e nos abandonar?

Pois é, Senhor Denílson, ex-diretor de nosso Sindicato dos Professores, nós, enquanto categoria, não vamos esquecer de Sua Excelência e todos os colegas sindicalistas ou não, que hoje ocupam cargos no governo Agnelo, principalmente funções comissionadas nas Regionais de Ensino. Lembre4-se, Senhor Denílson, que os governos passarão e, mais uma vez insistimos, com Sartre: NÓS SOMOS O QUE FAZEMOS DE NÓS MESMOS.

Como Sua Excelência, Secretário Denílson, conseguirá olhar para cada professor(a) que votou em sua pessoa para DIRETOR DO NOSSO SINDICATO? Como Sua Excelência consegue, hoje, olhar nos olhos de cada um dos atuais diretores do nosso Sindicato, que são pessoas com quem o Senhor sempre esteve junto, fazendo piquete, articulando acordos políticos para se reelegerem infinitamente para a Direção do nosso Sindicato?

Confesso-lhe uma coisa muito triste: gente que tem dignidade não conseguirá olhar nos olhos dos próprios colegas em situações como essa acima. E essa categoria tem dignidade. E nós estaremos por todo o sempre, em todas as futuras greves, em todos os atuais e futuros piquetes, lembrando que o Senhor Denílson lamentavelmente escolhe nesse momento a opção de se inserir na mesma lista de ex-diretores do nosso Sindicato e que foram, politicamente, enterrados por essa categoria.

Sua Excelência, Professor Denílson (Ex-diretor do nosso Sindicato), assim como todos os colegas professores (as) que ora ocupam cargos no GDF ainda têm, nesse momento, a oportunidade de dizerem às suas próprias consciências, para seus filhos e para essa categoria, qual é o lado de vocês. Eu não tenho vergonha de dizer que apoiei o Governador Agnelo Queiróz, mas nesse momento eu tenho lado: o lado da minha categoria. Na greve de 1998, eu renunciei ao meu cargo de Dirigente de uma escola em Planaltina e para o qual tinha sido eleito, para ficar ao lado dos meus colegas grevistas. O que ganhei com isso? Ganhei o respeito dos meus colegas e garanti minha dignidade. Esse é o recado que deixo à Sua Excelência, Prof. Denílson, e aos nossos colegas que ora preferem ficar no GDF em vez de lutar conosco. Abraços!


Professor e escritor XIKO MENDES (Há 18 anos na luta). Bsb, março/2012.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

INTERDISCIPLINARIDADE (texto de XIKO MENDES).

PROJETOS INTERDISCIPLINARES:
sua escola precisa trabalhar com eles!

“Um educador é um fundador de mundos, um mediador de esperanças, um pastor de projetos”. (Rubem Alves).

Xiko Mendes

A interdisciplinaridade é, hoje em dia, um dos projetos adotados por escolas inovadoras cuja concepção fundamenta-se nos princípios eco-pedagógicos da Educação do Futuro – aquela que, ao se preocupar com a formação do Novo Homem no século XXI, oferece-lhe diferentes visões sobre a realidade que o cerca, sobretudo procurando fazê-lo compreender tudo por meio de percepções holísticas. O pensamento holístico ou sistêmico tem como finalidade perceber as coisas como um todo e não em partes – como é comum na transmissão do conhecimento pelo professor de cada disciplina. Construir uma visão de mundo não fragmentada da realidade é o objetivo mais importante na aplicação e avaliação de projetos interdisciplinares.
A Eco-pedagogia – com o seu conjunto de propostas para um novo processo de ensino-aprendizagem onde as interações Homem-Natureza são percebidas como um todo a ser valorizado mutuamente – é a base desse novo pensamento. Com ela a escola abandona a velha didática baseada no pensamento mecanicista cartesiano, predominante desde o século XVI, que criou o “mundo dos especialistas que se dizem entender tudo de apenas uma coisa”, mas ignoram tudo o que está fora de sua área de especialização. Esse tipo de educador precisa adquirir essa nova percepção norteadora de um novo olhar sobre formas de produção e aquisição do conhecimento sob diferentes pontos de vista.
A Interdisciplinaridade não é só um trabalho integrado em que professores de diferentes disciplinas se juntam para desenvolver uma atividade pedagógica comum (um tema gerador, por exemplo). Ela é mais que isto: é a possibilidade que o educador tem de interagir o seu saber com o saber dos outros professores, dos pais, dos alunos... compartilhando contatos, troca de idéias e mistura de percepções (visão sinestésica das coisas) por meio das quais a formação do futuro cidadão vai se construindo com base na filosofia da práxis. A práxis é essa nova visão de que a escola tem ao mesmo tempo a missão de ensinar a teoria testando-a na prática político-pedagógica do professor e confrontando o aluno com a realidade que ele vivencia e onde vive.
A interdisciplinaridade, assim entendida, só tornar-se-á possível quando a maioria dos professores permitir essas diferentes interações (professor/professor; professor/pais/alunos, entre outras) como prova de que todos são portadores de saberes indispensáveis à compreensão do mundo e à transformação dele. Para isso, o professor precisa reconhecer, antes de tudo, que não sabe de tudo. Esse é o primeiro passo para a construção de PROJETOS INTERDISCIPLINARES porque o sucesso deles dependerá do envolvimento de todos, do desejo que todos têm em aprender com o outro o que não sabia ou de reaprender o que fazia com uma outra ou nova visão sobre o fazer.
Conhecer e valorizar o município de Formoso implica, pois, nessa necessidade de todos os professores se envolverem com a prática dessa nova concepção de educação que enxerga a formação do cidadão formosense não apenas como tarefa exclusiva do Professor responsável pelo PROJETO HERMES – História Especializada em Realidade Municipal com Estudos Socioambientais – mas de todos nós, Povo e professores de outras disciplinas. Com essa missão delegada a cada colega professor, apresentamos aqui apenas DUAS SUGESTÕES de projetos interdisciplinares que sirva de ponto de partida. E que as escolas de Formoso construa vários deles com sucesso.

IN: MENDES, XIKO. ECO-HISTÓRIA LOCAL: FORMOSO EM SALA DE AULA, Unifam, 2007.

POEMA DE XIKO MENDES SOBRE EDUCAÇÃO.

Um Professor Indignado com os Malditos “Anjos de Azul”

                                                                 Xiko Mendes

Eles vêm à sorrelfa no meio da noite;
São íncubos: sugam neurônios e axônios;
Fazem apologia da ignorância e da cleptocracia;
Detestam gente que tem consciência política.
A Política, para eles, é a arte de matar cérebros.
Uns fingem ser amigos da gente;
Só para nos cooptar.
Quando vêem que alguns de nós
Colocam as convicções acima dos cargos,
Dos subornos e da troca de favores,
Aí se afastam, nos retaliam.
Na pedagogia desses malditos Anjos de Azul
Quem não reza na cartilha chapa branca
É transferido de escola ou até de cidade;
É vítima de perseguição política.
A “Justiça” é a deles!
Não há critérios na tomada de decisões;
O critério é ser “amigo do rei”.
Adversários não têm direito de defesa!
Odeiam Professores que questionam muito,
Que não reproduzem a ideologia burguesa do
Livro Didático Preto ou Azul.
Amam professores alienados,
Que trazem esquemas prontos, decorados;
Que brigam para dar aulas sempre nas mesmas turmas.
Sabem por quê?
A Alienação transforma o Homem
Porque retira dele o direito de ser ele próprio.
Fui condenado por eles a sempre mudar de escola.
Dizem que sou “maluco”, falo demais, questiono demais!
Mas adoro ser louco.
A Loucura é o Suspiro da Razão!
Só os loucos não furam greve;
Só os loucos recusam as bênçãos dos Anjos de Azul!
Só os loucos fazem cumprir a profecia de Paulo Freire:
“A Leitura do Mundo precede a Leitura da Palavra”.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

CENTRÃO COMEMORA 50 ANOS e Professores reivindicam melhorias para a escola.

Professores do Centrão também celebram os 50 anos dessa Escola, mas querem uma escola melhor.

Xiko Mendes (e mais vários professores que assinaram o texto original dessa nota).

Em 1961, há cinqüenta anos, nascia a nossa escola. Nessa época o local onde está a sede própria do Centro Educacional 01 – ou Centrão, como carinhosamente o chamamos – era cerrado puro. Homem e natureza conviviam harmoniosamente. Plantas e animais desapareceram para, no mesmo lugar, nascer no início dos anos 1970 a Vila Buritis, formada pelos bravos operários que construíram Brasília, mas não ganharam casa na nova capital. O atual prédio de nossa escola foi concebido dentro do projeto de cordão sanitário em que o alinhamento de repartições públicas ia separando o Setor Tradicional dos imigrantes barraqueiros da Vila Buritis. Com o tempo, a discriminação foi sendo “esquecida” para dar lugar à integração.

Como a Educação foi e é o maior instrumento contra essa SEGREGAÇÃO ESPACIAL, celebramos esses 50 anos do Centrão com a certeza de que já prestamos e estamos prestando relevante contribuição à formação intelectual e moral dos planaltinenses. Mas se muito já fizemos, mais poderia ter sido feito caso as autoridades do GDF dessem mais apoio aos anseios de alunos, professores, enfim, da sua comunidade escolar em geral. É estranho, por exemplo, completarmos 50 anos e ainda vivenciarmos dentro dessa escola os mesmos problemas de escolas inauguradas recentemente. O que fez o GDF nesses 50 anos?

Em 50 anos de história, o GDF pouco contribuiu para oferecer ao Centrão condições operacionais e pedagógicas de tal modo que pudéssemos ser ainda melhor do que somos. Alguns exemplos: há anos o Auditório do Centrão precisa de reforma e ampliação, mas ninguém nunca se deu conta disso. Há anos o Centrão tem uma quadra improvisada, mas por que não usam aquele amplo espaço para ali construir um grande Ginásio Poliesportivo? Há anos convivemos com a deficiência da biblioteca, da videoteca, da sala de informática e de tantos outros espaços ociosos ou mal utilizados por falta de boa estrutura dentro da escola. O ensino noturno ministrado na Modalidade EJA vive uma situação vexatória, com altos índices de evasão, porque a escola não é atrativa pelos motivos acima e por outros tantos. Por que o GDF e a Câmara Legislativa, ao se irmanarem nessas comemorações, além de baterem palmas para nós, não priorizam o Centrão com essas e outras obras, e com melhores condições de acesso às novas tecnologias, e também com a dinamização dos espaços já citados?
Mas escola não é só espaço físico. Ela é, sobretudo, formada de almas, de gente e de utopias. Por falar nisso, os professores do Centrão aproveitam os 50 anos dessa escola para deixar aqui o nosso RECADO AO DEPUTADO CLÁUDIO ABRANTES, autor dessas oportunas homenagens, e às pessoas aqui presentes.

Nós, educadores, queremos que – bem diferente de mandatos anteriores em que vários deputados votaram contra os interesses dos professores, posicionando-se contra as nossas greves, aliando-se a governos corruptos para inviabilizar nosso Plano de Carreira... – que, dessa vez, os deputados da Câmara Legislativa apóiem as grandes causas da Educação. O novo Plano de Carreira está para ser votado assim como a nova lei de Gestão Democrática. Essas e outras questões já levantadas nesse texto são reflexões que, à luz desses 50 anos do Centrão, exigem compromisso político e ético efetivo (e não evasivo) de todas as autoridades, inclusive dos proponentes dessa sessão solene que ora se realiza em nossa escola pelos seus 50 anos. Somos gratos por essa homenagem. Mas isso apenas não basta. Queremos mais! Queremos sonhar e realizar mais.

Parabéns Centrão pelos seus 50 anos! Parabéns, Comunidade Escolar (!!) por fazer do Centrão uma escola que, mesmo não sendo prioridade de vários governos nesses 50 anos, nunca desistiu de torná-la, se não a maior, pelo menos uma das melhores de Planaltina.

Nós temos orgulho de sermos professores no Centrão!! E queremos que esse mesmo orgulho contamine a mente das autoridades e das pessoas presentes nessa SOLENIDADE. Que o entusiasmo de vocês não se limite ao espetáculo comemorativo. Mas que AÇÕES EFETIVAS sejam tomadas em benefício de nossa escola. E que a felicidade dessa noite radiosa não resvale para o vácuo das palavras fúteis traduzidas no vazio dos discursos que se tornam estéreis por falta de propostas concretas em prol do homenageado: o Centrão. Parabéns, Deputado, pela iniciativa!!!

Planaltina – DF, Segunda-feira, 5/9/2011 (Essa nota foi distribuida durante Sessão Solene da Cãmara Legislativa do Distrito Federal, realizada no auditório do Centrão, dia 5/9/11, 19 hs).

terça-feira, 23 de agosto de 2011

UMA VISÃO DA FILOSOFIA SOBRE O CORPO HUMANO.

RESUMO

Observando como a "modernidade" apresenta o corpo humano, faz-se necessário refletir sobre esta corporeidade a partir da influência filosófica greco-romana, a transição do mundo helênico-cristão - abordagens da modernidade como gênese da visão emancipada da corporeidade hoje. A percepção do corpo subjetivo que temos hoje, em pleno terceiro milênio, possui como gênese duas vertentes que perpassam a concepção de ser humano: a abordagem idealista e a tendência materia-lista. Neste ensaio, tentaremos refletir sobre a construção e evolução desta corporeidade, contextualizando-a no mundo globalizado onde o corpo passa a ser "produto mecanizado e mercadológico". Este breve estudo nos auxiliará na compreensão histórica forjada na civilização ocidental, percebendo-se na "modernidade", uma perda de identidade diante das possibilidades tecnológicas e da alienação humana.

Palavras-chave: "Physis", Corporeidade humana, Plato-nismo, "Dualismo psicofísico", Filosofia.


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ABSTRACT

Accounting for the way human body is regarded in "modern times", it is a must to reflect upon such corporeity on the grounds of the Greek-Roman philosophical influence, the transition from the Hellenic-Christian world - modern approaches as emancipated genesis of current corporeity. The subjective perception of the body in the third millennium possesses, as genesis, two sources going along with the conception of human being: the idealistic approach and the materialistic trend. It is our aim, in this study, to reflect upon the building and development of such corporeity through the context of a globalized world where the body is perceived as a "mechanized and marketable product". This brief study intends to guide us throughout the historical understanding shaped on the occidental civilization and coming into light in the "modern times", a loss of identity due to technological possibilities, as well as, human alienation.

Keywords: "Physis", Human corporeity, Platonism, “Psycho-physic dualism”, Philosophy.


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Introdução

Para uma melhor compreensão, optamos por abordar a visão histórica do corpo dentro da grande influência platônica (idealismo/materialismo) lançando luz para perspectivas atuais. Não é nossa intenção aprofundar sobre uma "metafísica do corpo", nem uma fenomenologia do corpo. Pretendemos lançar alguns elementos, lances históricos na percepção do corpo humano como base para a civilização ocidental. Chamaremos por testemunhas, filósofos gregos, medievais, renascentistas e modernos, sempre relacionados com o processo educacional.



Abordagem idealista

Inaugurada pelos gregos, temos a concepção do "microcosmos" emancipando-se para o "macrocosmos" a natureza condicionando e influenciando a visão do corpo3.

Platão (428-347 a.C.) reflete o mundo das idéias do qual a alma se originou e se encarcerou num corpo que é o mundo real, apresentando o corpo como uma dimensão inferior, limitado, contraposto à alma (perfeita, eterna e imutável), lançando os pressupostos para a teologia cristã. Assim sendo, as atividades relacionadas ao intelecto eram consideradas nobres, reservadas à aristocracia, fomentando o chamado "ócio prestigioso" e, relegando às classes inferiores, os trabalhos braçais.

Já Aristóteles (384-322 a.C.) afirma que a alma tem a forma do corpo (hilemorfismo)4, e influencia o empirismo ao admitir que o corpo ("physis") interage perfeitamente com este mundo a partir de suas percepções sensoriais: os sentidos, a intuição e a consciência ("psiquê")5. Ambos influenciarão a visão de mundo e concepção de "Homem Moderno" ainda que o mesmo seja moldado no modismo cibernético.

Como testemunho cristão do pensamento platônico temos a contribuição de Santo Agostinho (354-430 d.C.), bispo de Hipona, que representará a teologia sobre o pecado original (o corpo como instrumento pecaminoso, caminho do mal): desenvolveu-se a noção de culpabilidade, angústia, alicerçando a vida monacal:

"Eu não existiria, meu Deus, de modo algum existiria, se vós não estivésseis em mim; ou melhor, eu não existiria se não estivesse em vós, de quem, por quem e em quem todas as coisas têm o ser." (SANTO AGOSTINHO apud DUMONT)

O advento da mentalidade Renascentista inaugurará conflituosas percepções do corpo humano, uma vez que durante a Idade Média se firmaram os pilares morais, religiosos e filosóficos da concepção humana. O mundo medieval foi direcionado pela teologia católica para a qual o sexo era pecado venial, tendo como finalidade a procriação dentro de um contexto matrimonial. Estimulava-se "ascese" (ginástica espiritual): jejum, penitência, mortificação, ou seja, a negação do corpo 6.

"O corpo é também ocasião de corrupção e decadência moral, pois se a alma superior não souber controlar as paixões e os desejos, o homem será incapaz de um comportamento moral."

A modernidade traz, no seu bojo, um conjunto de transformações: as grandes navegações, a concepção heliocêntrica, a secularização do conhecimento, o antropocentrismo - marcando uma nova visão de homem no mundo e, conseqüentemente, da sua corporeidade. Contrapondo a negação do corpo da mentalidade medieval, percebemos o hedonismo (culto ao prazer), emancipação do "sujeito cosmológico"; há uma crescente dessacra-lização da corporeidade. Em uma perspectiva holística, temos as personalidades de um Leonardo Da Vinci (1452-1519), Galileu Galilei (1564-1662), Michelangelo (1475-1564), Giordano Bruno (1548-1600) e René Descartes (1596-1650); expressando esta nova visão temos o famoso quadro "A lição de anatomia" de Rembrandt, onde o médico Vesálio (1514-1564) disseca um cadáver:

"Abrir o corpo de um morto para estudar sua constituição íntima é um crime capital, não somente porque jamais se sabe se o morto está verdadeiramente morto, mas, sobretudo porque tal empreitada tem um caráter sacrílego. O olhar humano não deve se fixar em regiões que Deus nos ocultou e não deve violar uma realidade sobrenatural, um dos aspectos do destino eterno do homem." (GUSDORF, 1978)

O pensamento cartesiano instaura a fragmentação da percepção corpórea: "Penso, logo existo". Esta modernidade perceberá duas "instâncias do corpo humano: "res extensa" (corpo e matéria) e "res cogitans" (coisa pensante). O que hoje entendemos como dualismo psico-físico norteará abordagens distanciadas da proposta Holística dos gregos". Há uma crescente fragmentação do ser, "dicotomizado" pelo racionalismo científico.

O darwinismo vem contribuir para com a secularização do corpo, demonstrando que o mesmo é produto de uma evolução biológica, marcado pelo contexto geográfico e histórico. O capitalismo, através da Revolução Industrial, renegou o corpo à condição de máquina, diante disto, surge a filosofia marxista, contrapondo-se à "reificação" do ser humano. Seus estudos abriram as portas para a compreensão do ser humano, nos vários campos do saber, tais como: a perspectiva sociológica da historicidade humana da produção intelectual de Karl Marx (1818-1883); Albert Einstein (1879-1955) "o ser no tempo-espaço", Edmund Husserl (1859-1938) "o ser de consciência" e a remanescente contribuição da Psicanálise de Sigmund Freud (1856-1938), que em congresso de l927 profere uma conferência com o sugestivo tema: "Eu lhes trago a peste":

"Nós, seres humanos somos infelizes. Nossos corpos adoecem e decaem, a natureza exterior nos ameaça com a destruição, nossas relações com os outros são fonte de infelicidade. Mas todos nós fazemos os mais desesperados esforços para escapar da tal infelicidade. O poder sobre a natureza não é o único pré-requisito para a felicidade humana, assim como não é o único objetivo dos esforços culturais. Não nos sentimos à vontade em nossa civilização atual". (FREUD, 1927 apud SCHULTZ, 1995)



Novas perspectivas

A sociedade atual, principalmente a ocidental, vem através de uma lógica mercadológica, impor um padrão de corpo perfeito, desenvolvendo nas pessoas, hábitos e comportamentos que as levem a perseguirem uma "beleza física". Como relata Frei Betto:

"(...) a publicidade invade o universo psíquico que chega a inverter a relação pessoa-mercadoria. Esta, revestida de grife, passa a imprimir valor a seu consumidor/portador. (...) O produto passa a merecer mais valor que a pessoa, e esta se sente socialmente valorizada na medida em que ostenta a posse do produto. O consumo consome o consumidor." (BETTO, 2006)

A mídia hollywoodiana, "formadora de opinião", também traz sua visão de corporeidade, através de seus marcos cinematográficos: Blade Runner (seres humanos como meras cópias perversas e amorais), "O Homem Bicentenário" (o ser insensível), "Inteligência Artificial" (seres humanos como sucatas recicláveis), "Matrix" (mundo virtual versus mundo real - outra vez reminiscências platônicas) e "Simone" ( cujo enredo mescla fenômeno midiático, cultura de massa e padrão de beleza eurocêntrica). São metáforas que denunciam a banalização do ser e perda da identidade do "humano" despojado de sua subjetividade. Diante do avanço da cibernética e da biotecnologia tais questões se colocam como desafio. Quais conceitos de "modernidade" e quais concepções de ser humano são forjadas nesse terceiro milênio. Podemos ainda falar em paradigmas nesse binômio "Homem-Modernidade"?



Considerações finais

Como percebemos, durante séculos, o mundo esteve preso primeiramente a uma visão idealista e depois materialista, chegando atualmente ao mundo globalizado, fortemente influenciado pela mídia, onde o valor dado ao corpo está relacionado à ló-gica de mercado. A produção acadêmica, o espaço escolar com suas relações interpessoais deve contribuir para a análise dos "miasmas" do mundo mo-derno: supervalorização do corpo, padronização do "belo", perda de identidade e subjetividade. Qual a contribuição que o processo educacional pode apresentar diante desta "desumanização do corpo"?

É preciso contextualizar a Educação Física, sobretudo a brasileira, trazendo para a sala de aula uma abordagem mais ampla do ser humano, procurando estabelecer um diálogo com os alunos acerca da influência midiática em nossas vidas. A Educação Física, ao tratar da cultura corporal do movimento deve procurar desenvolver, nos educandos, o senso-crítico, a socialização e a cidadania. Dentro das diretrizes trazidas pela LDB (20 de Dezembro de 1996), em particular os "Parâmetros Curriculares Nacionais", os educadores devem buscar formas e encaminhamentos integrando as várias áreas de conhecimentos no aperfeiçoamento da visão e desenvolvimento do corpo, tendo como desafio, a integração do educando portador de necessidades especiais. A fim de se obter tais respostas, caberá ao coletivo (educadores, legisladores, comunidade escolar) repensar a prática pedagógica, numa pers-pectiva mais humanizante. Esta nova mentalidade serve para outras disciplinas dentro da interdisciplinaridade.

O objetivo do presente ensaio foi lançar novos olhares à corporeidade do homem moderno, e apontar pistas aos educadores atuais que desejem assumir postura mais crítica frente aos caminhos a serem percorridos. Ao finalizarmos esta modesta contribuição, nos sentimos como alpinistas que aprendem a escalar diante da resistência das montanhas.



Referências

AQUINO, Tomás. Suma Teológica. São Paulo: Abril Cultural, 1983. (Pensadores)

ARANHA, Maria L. A. e MARTINS, Maria H. P. Filosofando: introdução a filosofia. São Paulo: Moderna, 1986.

BETTO, Frei. A mosca azul: reflexão sobre o poder. Rio de Janeiro: Rocco, 2006.

BUZZI, R. Arcângelo. Filosofia para principiantes. Petrópolis: Vozes, 1991.

DAOLIO, Jocimar. Da cultura do corpo. 6ª ed., Campinas: Papirus, 1995.

DUHEM, Pierre. Le systeme du monde. Paris: Hermann, 1988.

DUMONT, Adílson. Uma breve reflexão sobre a gênese da psicologia In: Boletim 2003 -CDPH/UFMG/FAE).

FERREIRA, Márcia O. V.; GUGLIANO, Alfredo A. Fragmentos da globalização na educação: uma perspectiva comparada. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

GUSDORF,Georges. Agonia de nossa civilização. São Paulo, Convívio, 1978.

HIPÓCRATES. Oeuvres Medicales. Lyon: Du Fleuve, 1954.

SCHULTZ, Duane. História da Psicologia Moderna. São Paulo, Cultrix, 1995.

SOARES, Carmen L. Corpo e história. Campinas: Autores Associados, 2001.

VARGAS, Angelo L. S. Variações em torno do corpo brasileiro. In: SOARES, Carmen L. Educação física e o corpo: a busca da identidade. Rio de Janeiro: Sprint, 1990.





Endereço para correspondência
Adilson Dumont
Email: filodumont@yahoo.com.br

Édison Luis de Oliveira Preto
Email: toninhoeuzebios@hotmail.com

Artigo recebido em: 25/07/2005
Artigo aprovado em: 02/08/2005





1 Licenciado em Filosofia pela UFJF. Professor do Instituto Superior de Educação Anísio Teixeira da Fundação Helena Antipoff - ISEAT/FHA.
2 Licenciado em Filosofia pele PUC Minas. Professor do Instituto Superior de Educação Anísio Teixeira da Fundação Helena Antipoff - ISEAT/FHA.
3 Ver HIPÓCRATES, Ouevres Medicales, Lyon: Du Fleuve, 1954.
4 Ver DUHEM, Pierre. Le Systeme du Monde. Paris: Hermann, 1988.
5 Para melhor aprofundamento, ver hedonismo e estoicismo.
6 Ver AQUINO, Tomás. Suma Teológica. In Os Pensadores, São Paulo: Abril Cultural, 1983.


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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

GILSÔNIA MANDOU ESSA CRÔNICA PARA NÓS. Que legal!

gilsonia deixou um novo comentário sobre a sua postagem "ESTUDANTES DEBATERÃO SOBRE UNIÃO HOMOAFETIVA EM PL...":

Professor: eu encontrei uma crônica na internet muito interessante, crônica de Arnaldo Jabor Sobre Homosexualismo.
Esta crônica mostra como o amor é um sentimento inexplicável, algo que só quem sente sabe o que é. Mostra que os homossexuais não optaram por gostar de pessoas do mesmo sexo; este sentimento é mais forte que eles próprios.
Acho interessante o senhor postar para todos os alunos lerem
Bjs Gilsônia 2°F





Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no
ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a
menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama
este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura
por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.